Man, they are right! You should have the australian spirit to be here! No momento em que escrevi esse texto estava sentado em frente ao balcão de check-in da nossa querida e não mais respeitada Qantas. Ah, esqueci de mencionar um detalhe: estou em Canberra, capital da ilha. Não que a cidade não seja aprazível mas o que me incomoda um pouco é o fato de que eu não deveria estar aqui! E o que me incomoda muito é que ainda terei que esperar por mais 2h45 para embarcar no avião que, finalmente, me levará ao meu destino final.
Mas essa história começa antes. Embarco em São Paulo as 16h40 rumo a Santiago do Chile, primeira escala da viagem. Antes de chegar, uma passada não muito agradável pela cordilheira dos andes derrubou meu suco no colo do neo-zelandês que estava do meu lado. Mas eu não tive culpa e acho que ele entendeu isso ao ver as outras tantas pessoas que haviam se molhado com a turbulência inesperada. Ao chegar lá, quatro horas mais tarde e depois de ter assistido um episódio de friends e Little Miss Sunshine na telinha bonitinha do avião, descubro que haverá uma outra escala em minha viagem sobre a qual eu ainda não havia sido avisado. Assim, embarco no avião da LAN Chile – que, por sinal, é muito boa companhia – rumo à Auckland, na Nova Zelândia. Dica para quem nunca esteve por essa bandas: a Nova Zelândia é longe! Depois de umas 5 horas de viagem em que eu já contava os minutos para terminar, decidi dar uma olhada na opção de mapa da minha televisão e pasmem: a porra do aviãozinho quase não tinha saído do lugar! Não estava nem no meio do oceano. E foi aí que eu percebi que a jornada seria longuíssima!
Filminho do simpsons, batalha naval com o cruzeirense que conheci no Chile pra lá e fui tentando fazer as horas passarem. Serviram a “janta” e eu quase consegui pegar todo o arroz que serviram pra mim com uma garfada só (só não o fiz porque o garfo, assim como a comida em si, era pequeno =/). Fiquei com fome. Mas as refeições são momentos muito aguardados porque, momentaneamente, acabam com o marasmo. Então, por isso, valeu. Dormi e acordei umas 4 horas depois. Decidi então assistir o filme “Ele não está tão afim de você” simplesmente porque tem a Jen Aniston. E se ouvir uma mulher reclamar de seus problemas amorosos pessoalmente já é tedioso, imagine no meio de um vôo infindável. Dormi de novo no meio do filme e acordei melhor, mais empolgado. Consegui fazer o tempo passar lendo um pouco o livro que ganhei do meu avô no embarque. Mas fiquei com um pouco de vergonha porque eu era a única luz acesa no avião todo – que estava em completo silêncio. Aí começaram a servir o “café da manhã”e tiveram que interrompe-lo porque uma turbulência de verdade nos atingiu. E se eu achava que aquela no Chile tinha sido encardida é porque eu era virgem. Isso sim foi uma turbulência! Quase voei pelos ares, literalmente.
Comi e logo pousamos em Auckland. O vôo de 13 horas até que passou mais rápido do que eu pensava. O aeroporto da cidade é lindo! Todo chique! Eu e o cruzeirense – que se chama Gustavo e já deve estar em Gold Coast agora com sua camisa 30 do Cruzeiro e do Gladiador Kleber – fomos comprar um cartão para a máquina fotográfica dele. E resolvemos pagar por ele quando todas as câmeras do free shop apontaram para nós. Aí fomos para Sidney no mesmo avião que havíamos ido para Auckland! Isso foi bom pra mim porque as pessoas que estavam do meu lado ficaram por lá mesmo e me deram mais espaço para dormir. Mas das 4 horas do vôo, acho que eu só dormi por uma, no máximo. O resto eu passei jogando mini golf (fiquei só 7 acima do par no fim do tour) e comendo. Mas o melhor da viagem foi quando estávamos chegando em Sidney! A cidade de cima é embasbacante! E eu que achei que essas coisas só existiam pela televisão! O aeroporto de Sidney então é de outro mundo! Gigantesco! Cheio de gente, de movimento, de coisas acontecendo a todo momento. Inclusive, tem tanta gente lá que uma delas roubou meu lugar no avião que iria para Brisbane, meu destino final. Ta certo que a Imigração ajudou e me prendeu por um bom tempo do desembarque mas a Qantas vendeu meu lugar para outra pessoa. Então, quando, esbaforido e depois de algum tempo, cheguei para fazer meu check-in, o pé do frango já havia azedado. A única solução que me deram era pegar um outro vôo dali a 40 minutos para Canberra e depois fazer uma conexão para Brisbane. Saí correndo que nem um turista brasileiro pelo maldito aeroporto enorme de Sidney (acredita que eu tive até que pegar um ônibus lá dentro pra chegar no meu portão de embarque?), subi num jatinho que balançava mais que ônibus na periferia e meia-hora depois estava na capital do país (apesar de não parecer).
O aeroporto de Canberra é pífio. Nem parece aeroporto de verdade. Tem uma loja e um lugar para comer. E a salada de frutas desse lugar custa 8 dólares! Enfim, depois de tanto esperar subi num outro jatinho e rumei para Brisbane. A viagem foi legal, acreditem! Do meu lado sentou um canadense que havia sido igualmente sacaneado pela Qantas. Ele puxou assunto comigo logo no começo do vôo e fomos conversando durante as duas horas do percurso. Pareceu ser um cara legal esse tal de Andrew. Ele foi me contando as coisas de Vancouver e eu tentando contar as coisas de São Paulo. Ele disse que tinha até um paulista lá na faculdade dele no Canadá. Mas o mais legal foi saber que ele estava indo para Brisbane para uma conferência mundial de filosofia biológica (??????????). Eu nem me arrisquei a perguntar o que era porque eu não ia entender a explicação nem que fosse em português!
Enfim, cheguei ao aeroporto de Brisbane que era meio estranho. Por sorte, a Randle me achou no meio da confusão e viemos logo para casa. Tomei banho, jantei um negócio indiano de frango apimentado e fui dormir, finalmente.
Agora que o marido da Randle, Collin, preparou meu pczinho com internet, estou postando esse texto que comecei lá em Canberra. E agora sim acho que o blog está com cara de diário. E também acho que escrevi demais. Desculpem. Já sinto falta de todos vocês.