Domingo, 12 de Julho de 2009

Da viagem ao redor do mundo

Man, they are right! You should have the australian spirit to be here! No momento em que escrevi esse texto estava sentado em frente ao balcão de check-in da nossa querida e não mais respeitada Qantas. Ah, esqueci de mencionar um detalhe: estou em Canberra, capital da ilha. Não que a cidade não seja aprazível mas o que me incomoda um pouco é o fato de que eu não deveria estar aqui! E o que me incomoda muito é que ainda terei que esperar por mais 2h45 para embarcar no avião que, finalmente, me levará ao meu destino final.

Mas essa história começa antes. Embarco em São Paulo as 16h40 rumo a Santiago do Chile, primeira escala da viagem. Antes de chegar, uma passada não muito agradável pela cordilheira dos andes derrubou meu suco no colo do neo-zelandês que estava do meu lado. Mas eu não tive culpa e acho que ele entendeu isso ao ver as outras tantas pessoas que haviam se molhado com a turbulência inesperada. Ao chegar lá, quatro horas mais tarde e depois de ter assistido um episódio de friends e Little Miss Sunshine na telinha bonitinha do avião, descubro que haverá uma outra escala em minha viagem sobre a qual eu ainda não havia sido avisado. Assim, embarco no avião da LAN Chile – que, por sinal, é muito boa companhia – rumo à Auckland, na Nova Zelândia. Dica para quem nunca esteve por essa bandas: a Nova Zelândia é longe! Depois de umas 5 horas de viagem em que eu já contava os minutos para terminar, decidi dar uma olhada na opção de mapa da minha televisão e pasmem: a porra do aviãozinho quase não tinha saído do lugar! Não estava nem no meio do oceano. E foi aí que eu percebi que a jornada seria longuíssima!

Filminho do simpsons, batalha naval com o cruzeirense que conheci no Chile pra lá e fui tentando fazer as horas passarem. Serviram a “janta” e eu quase consegui pegar todo o arroz que serviram pra mim com uma garfada só (só não o fiz porque o garfo, assim como a comida em si, era pequeno =/). Fiquei com fome. Mas as refeições são momentos muito aguardados porque, momentaneamente, acabam com o marasmo. Então, por isso, valeu. Dormi e acordei umas 4 horas depois. Decidi então assistir o filme “Ele não está tão afim de você” simplesmente porque tem a Jen Aniston. E se ouvir uma mulher reclamar de seus problemas amorosos pessoalmente já é tedioso, imagine no meio de um vôo infindável. Dormi de novo no meio do filme e acordei melhor, mais empolgado. Consegui fazer o tempo passar lendo um pouco o livro que ganhei do meu avô no embarque. Mas fiquei com um pouco de vergonha porque eu era a única luz acesa no avião todo – que estava em completo silêncio. Aí começaram a servir o “café da manhã”e tiveram que interrompe-lo porque uma turbulência de verdade nos atingiu. E se eu achava que aquela no Chile tinha sido encardida é porque eu era virgem. Isso sim foi uma turbulência! Quase voei pelos ares, literalmente.

Comi e logo pousamos em Auckland. O vôo de 13 horas até que passou mais rápido do que eu pensava. O aeroporto da cidade é lindo! Todo chique! Eu e o cruzeirense – que se chama Gustavo e já deve estar em Gold Coast agora com sua camisa 30 do Cruzeiro e do Gladiador Kleber – fomos comprar um cartão para a máquina fotográfica dele. E resolvemos pagar por ele quando todas as câmeras do free shop apontaram para nós. Aí fomos para Sidney no mesmo avião que havíamos ido para Auckland! Isso foi bom pra mim porque as pessoas que estavam do meu lado ficaram por lá mesmo e me deram mais espaço para dormir. Mas das 4 horas do vôo, acho que eu só dormi por uma, no máximo. O resto eu passei jogando mini golf (fiquei só 7 acima do par no fim do tour) e comendo. Mas o melhor da viagem foi quando estávamos chegando em Sidney! A cidade de cima é embasbacante! E eu que achei que essas coisas só existiam pela televisão! O aeroporto de Sidney então é de outro mundo! Gigantesco! Cheio de gente, de movimento, de coisas acontecendo a todo momento. Inclusive, tem tanta gente lá que uma delas roubou meu lugar no avião que iria para Brisbane, meu destino final. Ta certo que a Imigração ajudou e me prendeu por um bom tempo do desembarque mas a Qantas vendeu meu lugar para outra pessoa. Então, quando, esbaforido e depois de algum tempo, cheguei para fazer meu check-in, o pé do frango já havia azedado. A única solução que me deram era pegar um outro vôo dali a 40 minutos para Canberra e depois fazer uma conexão para Brisbane. Saí correndo que nem um turista brasileiro pelo maldito aeroporto enorme de Sidney (acredita que eu tive até que pegar um ônibus lá dentro pra chegar no meu portão de embarque?), subi num jatinho que balançava mais que ônibus na periferia e meia-hora depois estava na capital do país (apesar de não parecer).

O aeroporto de Canberra é pífio. Nem parece aeroporto de verdade. Tem uma loja e um lugar para comer. E a salada de frutas desse lugar custa 8 dólares! Enfim, depois de tanto esperar subi num outro jatinho e rumei para Brisbane. A viagem foi legal, acreditem! Do meu lado sentou um canadense que havia sido igualmente sacaneado pela Qantas. Ele puxou assunto comigo logo no começo do vôo e fomos conversando durante as duas horas do percurso. Pareceu ser um cara legal esse tal de Andrew. Ele foi me contando as coisas de Vancouver e eu tentando contar as coisas de São Paulo. Ele disse que tinha até um paulista lá na faculdade dele no Canadá. Mas o mais legal foi saber que ele estava indo para Brisbane para uma conferência mundial de filosofia biológica (??????????). Eu nem me arrisquei a perguntar o que era porque eu não ia entender a explicação nem que fosse em português!

Enfim, cheguei ao aeroporto de Brisbane que era meio estranho. Por sorte, a Randle me achou no meio da confusão e viemos logo para casa. Tomei banho, jantei um negócio indiano de frango apimentado e fui dormir, finalmente.

Agora que o marido da Randle, Collin, preparou meu pczinho com internet, estou postando esse texto que comecei lá em Canberra. E agora sim acho que o blog está com cara de diário. E também acho que escrevi demais. Desculpem. Já sinto falta de todos vocês.

Sábado, 27 de Junho de 2009

Do verso que fiz para você

Fiz um verso pra você. Mas não há necessidade de curiosidade. Ele é simples, recatado e quase iletrado, adianto. Não junta rima e nem diz muito, para ser sincero. Nasceu para ser gauche na morte branca da folha. E está comedido e conformado na sua inexistência.

Escrevi para um dia poder ler para você. Sob seu olhar atento e seu sorriso rompedor. Ele é curto e raso. Tímido como quem o escreveu. Mas talvez pudesse me render teu abraço; um beijo seu. Queria ter sua atenção que tanto busco. Por um momento de abuso; que fosse.

Ele nasceu de uma verdade que eu não encontro mais por aí. Mas as coisas findas ficarão, certo? Então ele ficará relegado ao amor. Que, no fim dos beijos, é isso mesmo: hoje desperta, amanhã folga e nunca se sabe quando desafoga em dor.

Abri a boca pra dizer bobagem. Risquei o vazio pra registrar o que todo mundo já sabe. Pra exprimir algo que nem sei bem correto como dizer de novo. Perdi a prática dessa inconstância que é teu charme. Só me visto desse zelo que você exige a quem te corteja. Olhe para trás e se veja como sempre foi. Se leia nos meus versos e reencontre o que perdeu; o que perdi.

Fiz só por fazer, digo. Para reviver esse gosto bom de te imaginar em elogios. Faço isso, às vezes, já que não te tenho mais por perto, já que não me entendo mais ao certo. Esperava que causasse ciúmes, eu acho. Que ninguém mais soubesse escrever e te traduzir em um, dois ou dez versos pretensiosos em que me rebaixo.

A isso ele se resume poeticamente: ao que me resta nisso tudo. Essa paixão intensamente intocável, cega, muda e irracional. Tremendo sentimento meu que nunca vai te pertencer! Não te alcança de jeito algum, torto e cansado que é. Que mal há em morrer com ele depois de tê-lo a vida inteira como confessor?

Eu pensei nesse verso como quem não tem mais no que pensar. Dediquei certa entrega e pouca inspiração. Só foi preciso coragem. Afinal, já vivo esse ciclo infindável que me remete aos teus braços e depois aos teus lábios de uma maneira tão natural quanto impositiva. Padeço nessa miragem.

E pensar que escrevi isso tão resumido, tão breve. Mas como fazer distinto com algo tão indefinível? O pouco que escrevi é o máximo que consegui. Queria dizer tantas coisas lúcidas e loucas pros teus ouvidos. Mas só consigo pedir que a vida te leve sempre para mais longe. Pra te mostrar que não me há limites pra te seguir.

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Da discórdia

Lugarzinho distinto este aqui que reservo para escrever! Cada vez mais gosto dele. Acho que, por escassez de idéias, cada texto que ouso pôr aqui, enche o espaço com uma compostura que não tenho e uma pompa digna de escritor de verdade. Finjo as homenagens drummondianas para mim – mesmo que à revelia do mineiro.

Mas não foi para isso que me despi do habitual recato. Fiz para contestar a paz. Sim, porque ninguém a contesta! E nessas nossas voltas e revoltas, estamos sempre prontos para contestar a tudo e a todos. Porque, então, seria incontestável essa paz que tanto buscamos?

O pedido é recorrente entre as misses. E em felicitações de aniversário, então, a paz é campeã de citação. Pois lhes digo uma coisa: eu não quero a paz! Não tratarei de semeá-la ou propagá-la. Não, eu não. Que coisa tediosa é a paz!

A paz é contrária a tudo que eu gosto. Por exemplo, à paixão. Porque, o que é a paixão senão inquietação, agitação, vontade desvairada, ânsia e dor? E nada disso se vê no pacifismo. E tudo isso eu quero viver pro resto da vida!

Sempre tive uma convicção que mantinha própria, com medo de externar. Uma receita intrínseca me dizia que a paz era a meca dos conformados. O desejo medroso dos acomodados que viam nela uma desculpa para assistirem suas vidas passarem sem lhes exigir reação. E é justamente isso que me incomoda tanto na paz: essa impavidez meio burguesa, meio católica. Porque pode parecer conspiratório, mas realmente acredito que a paz é algo que nos vendem e nos fazem querer comprar simplesmente para aceitarmos o que nos administram.

Não sei se é um gosto pelo mal. Definitivamente não me enveredo pela guerra, longe disso. É só uma vontade que me cativa e me faz querer ver o mundo girar sob meus olhos. Acho que é legítimo e recorrente em quase todos nós. Eu também não quero ficar na varanda vendo essa tal paz, sonolenta e entediante, consumir meus desejos vivazes. Não os tonteie e se instaure longe de mim, por favor.

Em tempos de paz, nada acontece. Não há com o que se surpreender, com o que se inspirar. Portanto, não quero mais ela ocupando espaço nos votos fraternos que me fazem quando em datas especiais. Que dê lugar a outra coisa mais empolgante, muito mais excitante. E que, assim, me mantenha vivo.

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

De você

Você é a completa falta de razão
Esse tal charme desinibido
Uma porção e meia de perdição
O meu constante sorriso escondido

Você é uma tortura saborosa
Meu poema em verso e prosa
Essa minha caneta pedante a escrever
Todo tipo de poesia pra você ler

Você é a marcação do samba
Uma cuíca bem tocada
Tudo aquilo que se ama
Passeio à luz da madrugada

Se te faz feliz, vem me ver chorar
Faço tudo pra te ver sorrir
Sem sofrer não dá para se apaixonar
Vem tentar antes de partir

Que coragem lhe convence
A virar as costas sem remorso?
Eu te digo que nosso amor sempre vence
E que esse mundo é todo nosso

Desfaz seus planos que eu já fiz os meus
Refaz o drama que eu adoro esse seu jeito
E diz, mais uma vez, que me ama
Faz desse segundo o meu dia perfeito

Você é o que eu nunca quis
Me tira o sossego e me traz aflição
É a música que eu nunca fiz
Por você não caber numa canção

Você é o que faltava
O que faltou quando eu chorava
Tudo o que de bom eu faço
Pra me perder no seu abraço

Você é meu vício bem medido
A modéstia que me abandonou
Um amor que me encontrou perdido
E minha vida transformou

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

De tudo

Nem tudo são flores. Nem todos, amores. Nem tudo o que reluz no outro é virtude. Nem sempre o brilho é reluzente. Nem tudo que se almeja se tem. Mas nem tudo é pra sempre. Rogue pelo nada e conforte-se com tudo. Nem tudo é defeito.

Olhos inocentes e apaixonados não vêm defeitos. A inocência os desvia por pureza e a paixão por imposição. Cegos que observam em outra alma aquilo que falta na que lhes carrega. Não vêem, também, que na outra lhe falta o espírito e os olhos são tão cegos quanto os seus. Não faltam lágrimas, entretanto. Mas falta motivo justo e verdadeiro para chorar.

Nem tudo são cores. Nem todos, valores. Na ausência de cor, a escuridão se sente pela falta de cheiro. Inspira e expira a solidão - bem-vinda até então. Do colorido falso ao acinzentado real, o que é de fato é preferência. Dá a chance ao pintar de novas cores com mão firme e pincéis precisos. Traços malfeitos, bem feitos, quem dirá? Traços são linhas do abstrato que se unem na formalidade e, quase sempre, na causalidade. O nada que se torna algo é inspiração para qualquer poeta.

Nas idas e voltas, não saímos daqui. As coisas e pessoas se movem conosco, tal quais nossas idéias e teimosias. Não largamos o caminho, apenas desviamos do óbvio para parecermos vivos. Oferecemos nosso rosto para o vento cortar simplesmente para estarmos em seu caminho e nos sentirmos vivos. Entregamo-nos aos braços que nos convidem pois estamos vivos.

Nem tudo são dores. Nem ouçam, senhores. Exceto pelo amor, não se deve sofrer. E por ele, somente, porque o doloroso é adjetivo intrínseco e inseparável da paixão. Não se concebe o segundo sem o primeiro. Em detrimento dele, todas as outras coisas não se valem no peso. Se as lágrimas forem de alegria, que sejam inesgotáveis. Se o coração disparar sem motivo, que sempre encontre a companhia perfeita e calmante em outros olhos que lhe abrace. Tudo é o que pensamos ser. Restringir ou perdê-lo de vista é uma questão sem interrogação. Nem tudo existe.

Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Do dia dele

O beijo é aquilo te chama a perder a fôlego e a razão. Não tem nome certo, também não tem lugar e nem hora. É um impulso (dos imaculados) bento por saliva. É, senão outrora, a vida imersa no contato mais íntimo de duas almas que se entrelaçam como os lábios que se tocam. Não é simplesmente beijar, como dizem.

O beijo é um ato físico transportando sentimentalismo. É uma união de vontades uníssonas no desejo, mesmo que discrepantes na forma. O contato dos lábios, por si só não faz um beijo. Aquele de verdade teima em começar, relutante e fortalecido pelo nervosismo que a paixão traz consigo. O beijo de verdade, não ensina a ninguém a hora de parar.

Dizem que ele é fruto da paixão. Irmão prodígio da família de onde descendem o carinho e a admiração. Tutor de problemas e sonhos. Criado junto ao respeito.
Roubá-lo é crime contra a moral e atentado grave à competência da conquista. Conquistá-lo é pré-requisito para sua apreciação completa.

Ele é capaz de frustrar uma noite perfeita de céu estrelado e velas na mesa. Mas ele realmente se mostra soberbo quando refaz dois destinos, ligando-os para sempre em segundos que passam silenciosos.

Há nele uma força tão poderosamente invisível que nos prega os olhos fechados e os ouvidos impenetráveis enquanto guia bocas e lábios. Depois, essa mesma força nos ergue o peito, desfaz o nervosismo e nos lança mão de um sorriso imperturbável.

Somos vestidos e revestidos por ele. Sem perceber, passamos a viver por um beijo. Acordamos e vamos dormir pensando naquilo que nos atina os lábios e dispara o coração. Entregamos a vida inteira ao ósculo de uma única boca e nele procuramos remição. E se, por desacaso não encontrarmos, que nos matem de amor à espera do beijo que nos reviva – pois, isso também, ele pode fazer.

Na balança, o beijo vale mais que a dor e a desilusão. Pesa mais que o abraço, nos envolve mais que o sexo. Por isso, no fim das contas sofridas, compensa cada nota, cada verso, cada estrofe feita inspirada nele. É matéria (e obra) prima de produção cada vez mais acelerada e importância cada vez mais diminuta. Tornou-se produto banal da sede daqueles que se contentam com um gosto insosso na boca e uma sensação vácua no peito. Na lei da oferta e procura, quanto mais se oferece, menor o valor que se mede.

Que o beijo, no seu dia e em todos os outros do ano, seja sagrado e consagrado sempre.

Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Da nobreza que me falta

Logo cedo me podaram o gosto pelo amor. Crueldade precoce que nem sequer deixou que eu me despedisse dele. Não que eu, àquela altura, soubesse o que dele se tratava, mas queria tê-lo visto, tê-lo sentido de verdade – ah, como queria! - para ser nobre também. Sem ele, então me fiz moribundo, vivendo de sentimentos primários uma vida secundária.

Contentava-me e alegrava-me, por insignificantes dias, paixões esparsas. Que me faziam vibrar de tamanha sorte – quem me dera encontrar! Mas passavam tão breve eu me recompunha e recolocava meu coração e minhas esperanças na indigência. Aprendi, por força maior, que era inútil procurar pelo amor. Ele já havia me encontrado e eu já o havia perdido para sempre. Numa certa hora, de um certo dia do qual não me recordo, finalmente acreditara, por simples, que o amor não existe mais. Que é matéria de vida e crença única. Percebi que nunca mais amaria e que as paixões órfãs que me compunham até ali teriam de ser suficientes. Era mister não encontrá-lo nunca mais.

E desde então, acordo todos os dias tentando me provar errado enquanto a vida vai me fazendo certo.