Entre uma esperança e outra, vivo de entremeios e entraves. Do entra e sai de sentimentos, do tenta e cai de escolhas. Promissão, compromisso e omissão tudo lento e ao mesmo tempo. Não sei se chego ou se atraso o arrego, se valho o que batalho.
Arrepender-se é ter-se preterido antes. É ter perdido a razão num breve instante e pagar pela lucidez constante. O que foi não teve poder e o que será não terá. Do que é, faz-se o resto da fé. Da crença de que procrastinar resultará em predestino para se ganhar. Meu coração me afugenta da paixão que nem ele agüenta: um amor perfeito, feito para me odiar – de todo jeito - pelas costas.
Um caminhar amoroso, de passo marcado moroso, mas de rastro rancoroso. Onde fomos parar? Conformo em não nos termos, contudo - sem nada - para nunca sermos também evitamos ver-nos. Cegueira de conveniência, complacência com uma desculpa ligeira. Para todas as virtudes que um dia contei em você, desconto hoje cada dia seu sem uma atitude. Cotidiano mediano, leviano e desumano esse ao qual você me submete. Mete os pés pela razão e foge. Despoje de mim (se é pra ser!), todavia guarde o que sinto contigo toda vida. Isso sim aloje no peito e tire proveito.
Deliro aqui até onde a margem do papel me para. Repara: é raso o que nos separa. Não resiste ao que você declara, não existe para a força do que minha caneta dispara.
3 comentários:
Vitinho = grande poeta! Parabens, como sempre!
Jamais teria tido capacidade de fazer aquele texto se eu não lesse os seus. Você é diferenciado.
Filho, sempre que penso em escrever alguma coisa, seus textos me veem à mente e aí percebo que todo o resto se torna medíocre e banal. Te amo. Bjos
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