Não tenho paixões, tenho manias. Iguarias do coração que cultivo inativo. Pois não desejo, necessito. E insisto num misto de desobediência e maledicência. Resultado de tudo o que não amo, mas cismo. Insultado pelo abismo que fiz entre o peito e um leito manso de lirismo.
Não gosto, careço. Pareço, mas desapareço no que possuo, no que me possui e no que passou. Nunca tenho, apenas estou. Não rio, mareio.
De onda em onda, não choro: imploro. Não apego, aturo. Pra não acompanhar, me apanho nos lábios alheios. Mas não beijo, só sinto. E em que se pese meu pesar, não expresso, incorporo. E nessa inconstância, estou constantemente inconsciente. É minha consistência incontrolável e incondicional.
Lacônico e invariavelmente atônito, não falo, todavia declaro. Não respeito, moralizo. Não duro, esqueço. Quero escolher, mas acabo por aceitar. Para não evitar, confesso. E o que não faço, disfarço. Sou suspeito e imperfeito, contudo satisfeito. Não sujeito, subjetivo. Fruto furto e diminuto. Pra vazar o labuto, não luto, contudo e com tudo reluto.
1 comentários:
Não sabia dessa sua faceta literária! Belo texto, rapaz. Belo texto.
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