terça-feira, 31 de maio de 2011

Da calma(ria!)

A alternativa ao amor anseia agir. À menor esperança, convoca-se uma herança sem passado. Um vão na razão que supostamente irá te fazer crer na insegurança como afirmação do querer. Passam-se os dias e os lamentos até que se perceba o que realmente estamos predestinados a fazer: morrer de amar sem viver pra compensar.

Se há motivo para não procurarmos outros lábios há de ser o gosto da vida e da ferida sentida que só encontramos na boca conhecida. Por que procuraríamos outra se aquele amor – ainda que desenhado no desdém – nos consome e satisfaz? A verdade é que sacio nela minha vontade de amar, mesmo sem ter saciada a ambição de ser amado. Observa-se, então, que no amor tenho um coração duplamente calmo: metade por pertencer a ela e a outra por não ser de ninguém.

Simplesmente não há o instinto da busca que me lance incorrigível para outros braços. Há sim o extinto desejo de folgar o receio e finalmente viver o que sempre lhe veio sem freio. Cubra-se a cara e cobre-se o peito. Não se foge do presencial, do carma existencial: a vida está aí para ser perdida num olhar que não te larga, numa lembrança amarga do quanto é doce seu sorriso.

Apaixona-se uma vez e passa-se o resto das linhas tentando escrever tudo o que preferia esquecer. Como se possível fosse deixar para trás tudo o que se colocou à frente existência adentro.

1 comentários:

Karina Piva disse...

Você é sempre muito bom.