terça-feira, 28 de junho de 2011

Da desordem

Eu sou. Gostaria de adjetivar a frase anterior, mas não será possível. Pois não sei o que sou. Sei ser, não por vontade própria, mas porque todos os seres são natos. Na vida sartriana que sigo, ou é ser ou é nada. E algo algum sei que não sou, pois figuro nesse plano. Então, pelo fracasso espreguiçado do meu ser-para-si, sou ser-em-si. Pleno de inconsciência.

Com destaque ou não na existência, persisto na vida por imposição do acaso e dela mesma, que me parecem querer ter-me aqui por algum cinismo austral. Uma conspiração do mundo às avessas para a qual suponho ser peça atuante (mesmo querendo ser ausente).

Mas o que me falta ver? Minha vida é uma completa desordem. Sempre às ordens do irremediável, vivo no equilíbrio tênue de estar ou prestar. Na linha fina do arrependimento. Na pura e dura falta de alternativa.

Não admito o fato de que só tenho essa vida para tentar. E agora que já tentei e falhei: o que faço do resto da vida que desperdicei e que não tenho conteúdo – ou paciência - para preencher? Vejo que os outros se reparam, consertam e tomam prumo adiante. Já eu, sento e espero que um rumo qualquer me faça tolerante a mim mesmo. Pois não me alento e sou má companhia para os meus próprios pensamentos.

Falta me faz sentir. Olhar para trás e consentir que ficaram marcas positivas no que fiz e no que desfiz. Vislumbrar que à frente virão novidades em forma de perspectivas que me assaltem a razão. Não há nada disso entre o ar que respiro e o vento que me agride hoje. Falta me faria viver se já o tivesse feito em algum relance. Sobra tempo pra me despedir do ingrato sabor de existir.  

1 comentários:

Karina Piva disse...

Da onde vem toda essa falta de coragem? Cuidado!
O texto está ótimo, lindo mesmo!