segunda-feira, 8 de agosto de 2011

De acamar

Eu entendi a vida. Tudo o que aqui habita e que a nos dizer ninguém se habilita. É mais complicada do que custamos a acreditar, do quanto gostamos de nos enganar. A vida é carne. A vida é cara e, no cerne de tudo que se externe, reside uma paixão que nos alterne e um amor que nos governe para sempre.

É isso. Existimos para amar e sofrer as consequências disso. Ame ou deixe-a: essa é a vida. Despida de pena em toda despedida de cena. Nossa biografia não suporta o peso de uma existência vadia e prefere escrever a leveza de um coração criado à poesia.

Guarde seu amor com zelo. Disperso ou não correspondido, é melhor tê-lo. Só há valia no momento se for para revê-lo, no tempo se for para perdê-lo e no destino se for para desconhecê-lo. Amar é descontrolar-se, desamarrar-se e apreciar o sofrimento. É ser seduzido pelo pertinente engodo do sentimento. E deixar-se levar pela vida, sem as amarras da razão que nos prendem ao medo da morte.

Essa doença que, invariavelmente, acomete a todos nós é estranhamente propensa a impedir que o tédio vença. Pois, de nascença, só ganhamos da vida indiferença. Não compensa viver com a alegria suspensa pelo receio da desavença. Há de amar e acatar a sentença.

Encontre um amor denso. Extenso. Imenso. Um que não caiba na sua vida e, assim, entenderá que viver é só uma parte de amar. E que só existimos para nos declarar. Nascemos todos os dias para nos apaixonar, morremos para poder sonhar e duramos para não lembrar de duvidar.

Só vive quem ama. Eu escrevo minha eternidade. 

6 comentários:

Marcelo Macedo disse...

Magnífico, Vitinho!
Concordo plenamente.

Luciano disse...

Mano, uma dos seus melhores textos, sem dúvida nenhuma. Esbanja sabedoria.

Brancatelli disse...

Sua última frase é aquela que um escritor mataria para conseguir escrever.
E você conseguiu.

Sempre consegue.

Tay disse...

Me vejo sem palavras diante de tanto entendimento. Isso vem de cima. Parabens, mais uma vez! Eterno apaixonado

Lu Meinesz disse...

fazia tempo que não passava por aqui, adorei como sempre! Seus textos sempre me surpreendem e me fazem parar pra pensar.

Fiquei com uma saudade imensa de você.
bjs

Leila disse...

Não pude deixar de comentar. "Amar é descontrolar-se, desamarrar-se ... E deixar-se levar pela vida, sem as amarras da razão que nos prendem ao medo da morte." como eu já te disse, vc que não gosta de ser previsível, me surpreendeu! Nunca imaginei que palavras como essas viriam de vc, a razão em pessoa!