quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Da f(r)ase

A felicidade é o exercício errado do empirismo. Aprendi na prática. Ser feliz nada mais é do que supor; pôr e tirar a realidade conforme convém. A literatura é partidária e parceira desse enrosco tosco que une, inseparáveis, amor e sorriso.

Basta uma frase e, para uma alma literária como a minha, o engodo está feito. É um grito na catarse de uma suposta calmaria que me arremessa do amor à depressão na pausa de uma vírgula. E vice-versa. É uma fase em cujo escuro vejo sombras. Uma frase.

Quando vivemos assim, nos resta pouco. Minha história toda se escreveu sozinha enquanto eu pensava em frases para conquista-la. Enquanto eu a revivia pra reaprender a amar. E entre todos os dias em que eu não quis vê-la com medo do amanhã.

Sim, pois quando queremos demais uma pessoa, é como não querer vê-la. Desejamos tanto tê-la por perto que a mantemos longe para não perder o desejo. Para não parar o cortejo.
Mas nada do que eu diga vive mais do que um beijo. Nada do que escrevo sobrevive aos seus ensejos. Vejo-a com olhos imperativos, como quem só vê a verdade. De que ela sim é diferente! Ela é, sim, envolvente.

Numa foto eu te mostro a vida. E dela te guardo em fotos. Eternas, separadas pelos segundos, pelos suspiros. E pelo pensamento liso, seco, estreito e reto. Direto pra você. Correto ou incorreto: afeto.

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